Ruben Pereira: “Somos uma equipa ambiciosa”

Director desportivo adjunto da equipa de ciclismo EFAPEL, Ruben Pereira, antevê que 2017 pode ser um grande ano para a estrutura. A época que agora termina superou as expectativas e a ambição renova-se para que os corredores formação de Ovar voltem a levantar os braços bem alto e a comemorar vitórias ao longo da temporada.

- A EFAPEL teve um ano cheio de vitórias e bons resultados. O balanço de 2016 é positivo?
Sim, sem sombra de dúvida que 2016 foi um ano muito positivo para toda a equipa. Acabámos por surpreender com os resultados obtidos. União e o espírito de grupo foram os grandes segredos dos êxitos da época 2016.

- A equipa procura ser protagonista em todas as corridas, mesmo quando não ganha. A postura vai ser a mesma em 2017 ou haverá uma alteração na estratégia?
A nossa postura é sempre a mesma, está no ADN da nossa estrutura correr sempre para ganhar. Foi uma filosofia incutida, logo no início deste projeto, pelo meu pai, Carlos Pereira, atual responsável máximo da equipa.

- O grupo de corredores teve saídas e entradas. Destaque para o regresso de Sérgio Paulinho a Portugal. A equipa tem muitas esperanças no novo chefe de fila?
O Sérgio Paulinho não precisa de apresentações. O seu palmarés fala por si. É um ciclista com muita experiência e com uma grande visão e leitura de corrida. A sua personalidade transmite tranquilidade e confiança e isso será importante para todo o grupo. Um dos fatores que nos levou a contratação do Sérgio foi a grande motivação e vontade que ele apresentou em voltar a competir nas estradas portuguesas e com um objetivo bem definido e isso dá-nos esperanças.

- O grupo é muito equilibrado, com corredores novos e outros bastante experiência. A equipa tem um colectivo capaz de discutir corridas com perfis bastante diferentes?
Em 2017 iremos apresentar uma equipa mais equilibrada e com um plantel muito polivalente, temos atletas para todo tipo de terrenos reforçando mais no que toca a montanha. Esperamos um coletivo capaz de defender a liderança em qualquer tipo de prova.

- Qual é o grande objectivo de 2017?
Renovamos os nossos objetivos ano após ano, mas sem dúvida que o nosso foco está na Volta a Portugal. É a montra do nosso ciclismo português, mas a época não se resume só à prova rainha. Primamos pela regularidade em todo o calendário, somos uma equipa ambiciosa. Para além de alcançar o máximo de triunfos o nosso grande objetivo é dignificar os patrocinadores que apoiam este projeto.

- Nas entradas, destaque para a chegada de mais um corredor espanhol e de um jovem talento colombiano? Quais são as expectativas da equipa?
Mateo Garcia é um jovem colombiano muito completo de enorme qualidade com apenas 20 anos. Queremos dar-lhe a oportunidade de crescer e adaptar-se ao ciclismo europeu.
No que toca ao Jesus del Pino será um ano de afirmação para o ciclista espanhol, é um puro trepador com margem de evolução, apesar dos seus 26 anos penso que pode dar um salto de qualidade no próximo ano. Quero também realçar a entrada de Bruno Silva um ciclista que regressa a equipa para fortalecer o núcleo forte da Efapel.  As expectativas são grandes em relação a todo o plantel, cada ciclista sabe o lugar que tem de ocupar dentro da equipa.

- O Daniel Mestre destacou-se em 2016 com várias vitórias. Vai continuar a ser um dos homens da equipa para ganhar etapas?
O Daniel Mestre e o Henrique Casimiro foram, para mim, as maiores revelações da época 2016. A qualidade de ambos já era notória em anos anteriores, mas esta época foi sem dúvida de confirmação e afirmação para ambos, dois seres humanos extraordinários e os pilares da união da equipa. Em relação ao Daniel Mestre é de esperar muito mais que um homem para ganhar etapas, pode estar na discussão das provas mais importantes a nível nacional, é um ciclista cada vez mais completo e que pode dar muitas alegrias à equipa no próximo ano. Mesmo quando não está para ganhar está para dar o máximo pelos companheiros.

- Rafael Silva e António Pereira Barbio não só se revelaram excelentes roladores e homens de equipa como estiveram em evidência nas provas de pista. Com a equipa concentrada, em exclusivo, nas provas de estrada, de que forma tenciona aproveitar esta polivalência e tornar o conjunto ainda mais competitivo?
Cada vez mais o ciclismo de pista está presente no nosso país. O Rafael Silva e o António Barbio são atletas de seleção nacional nesta vertente que lhes dá muita consistência para o ciclismo de estrada. São dois grandes talentos. O Rafael Silva passou por momentos difíceis com a perda do seu pai que, naturalmente, o abateu bastante. Agora inicia uma nova etapa da sua vida e é um dos atletas em quem deposito uma enorme confiança e admiração. Apostei nele desde do primeiro momento. Sei o que ele vale como atleta, tem um perfil de ganhador e em 2017 pode ser o ano dele. O António Barbio foi uma agradável surpresa para mim este ano. Aabia da sua qualidade mas a sua garra surpreendeu-me. É um jovem com um enorme potencial e tenho a certeza que em 2017 vai ser uma das peças mais importantes da equipa, a par de Álvaro Trueba outro jovem espanhol que vai para o seu segundo ano de profissional na nossa equipa. É um ciclista de futuro e a curto prazo vai ter uma palavra a dizer nas provas por etapas.

- Como analisa o calendário de 2017?
Em 2017 se se confirmar o calendário apresentado até ao momento, prevê-se um início de época muito intenso, correndo-se a Volta ao Algarve e logo de seguida a Volta ao Alentejo. A única lacuna do nosso calendário é após a Volta a Portugal com uma grande falta de competições de algum nível de importância, para que o calendário se prolongasse até ao final do mês de Outubro.

- E os plantéis que se prevê estarem na estrada a competir com a EFAPEL?
As equipas reforçaram-se para a próxima época e penso que estão mais equilibradas entre elas, mesmo sabendo que na teoria o F.C.Porto W52 tem o plantel forte e recheado de qualidade, o Sporting - Tavira com a entrada do nosso antigo líder, Jóni Brandão, a quem desejo a maior sorte para a próxima época, vejo uma equipa mais equilibrada, mas penso que a nossa equipa EFAPEL tem tudo para se bater com as melhores equipas nacionais.

- Há muitas saídas ao estrangeiro previstas?
Neste momento estão confirmadas  pelo menos três saídas ao estrangeiro no país vizinho. Estamos ainda em negociações para marcar presença numa prova importante fora da Europa no mês de setembro.

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